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terça-feira, 29 de março de 2016

Batman vs Superman - A Origem da Justiça.

Um dos filmes mais aguardados de 2016 e, por que não, um dos mais aguardados do gênero de super-heróis, finalmente chegou. A questão agora é, será que o filme é tão bom quanto falam? Ou mesmo tão ruim quanto as críticas apontam? Dessa vez subirei no muro, Batman vs Superman é um filme mediano, mas que tinha tudo para ser grande.

Zack Snyder mais uma vez caiu na maldição de dirigir filmes mais ou menos, que possuem alguns bons picos de grandiosidade. Vamos aos fatos, o filme produziu grande expectativa no público, o que é quase sempre uma armadilha perigosa, na qual a obra caiu e feio. Os diversos trailers lançados tiraram grande parte da surpresa de se assistir o filme no cinema, o próprio vilão do filme, Doomsday, foi mostrado desnecessariamente antes do lançamento. Algumas cenas já reveladas, demoraram mais da metade do filme para aparecerem, o que eliminava quase por completo a sensação de surpresa ao assistir. Isso sem mencionar os diversos furos no roteiro, que nem mesmo as atuações, um dos pontos positivos do conjunto, puderam segurar.

O filme nos apresenta um Batman (Ben Affleck) surpreendentemente bom. Ainda não é o melhor Batman dos cinemas, ao meu ver, como muitos fãs colocaram, mas certamente é um Homem Morcego de respeito. O ator encarnou muito bem o personagem amargurado, com um peso enorme nas costas. Esse Batman é cansado e atormentado por eventos do passado, referência direta aos quadrinhos de Frank Miller. A Mulher Maravilha (Gal Gadot) também merece reconhecimento, embora tenha sido trabalhada um pouco nas coxas, a personagem ganhou um rosto, não consigo, ao menos por enquanto, imaginar outra atriz no papel. Mesmo com essas boas atuações, eles não conseguem amparar o Superman (Henry Cavill), que não possui carisma algum. Pode ser implicância, mas você vibra quando o personagem leva porrada e não é porque o Batman é incrível ou algo assim, mas sim porque o Super não faz nada que te convença que ele merece o contrário. Há algo de irritante neste Superman e eu não sei o que é. Talvez seja meu lado fanboy gritando mais alto pelo Batman, talvez não seja.

O curioso deste filme é que ele conseguiu superar as apreensões dos fãs, principalmente sobre os personagens de Ben Affleck e Jesse Eisenber, que interpretou incrivelmente Lex Luthor, mas errou feio ao atender às expectativas positivas, sobre o confronto entre os heróis, o vilão Apocalipse e principalmente sobre as motivações de cada personagem. Os acontecimentos são meio repentinos demais, com pouca explicação, confusos e o Batman literalmente muda de ideia em um minuto. Em um momento ele aponta uma lança de Kriptonita em direção ao peito do Homem de Aço e no seguinte o chama de amigo ao participar do salvamento de Martha Kent (Diane Lane), e toda essa reviravolta de sentimentos acontece só porque as mães dos dois possuem o mesmo nome. Mas que forçada de barra, ein senhor Zack Snyder? O senhor passa quase uma hora de filme trabalhando que o Batman considera o Super um risco e que o embate entre os dois é totalmente justificável por causa deste viés, o que faz muito sentido, era um bom caminho, mas depois joga isso tudo pelo ralo sem nem dar uma explicação sensata. Os roteiristas David S. Goyer e Chris Terrio deslizaram feio aqui. Zack Snyder só não tem preguiça de enfiar slow motion em tudo, parece que não conhece outra técnica de intensificação de cena dramática que não seja esta. Sem contar os excessos no uso de CGI, que tiram totalmente a imersão. Estes erros foram cruciais para tirar toda a possível grandiosidade de Batman vs Superman.

Embora recheado de defeitos, o filme possui seus pontos positivos. O diretor costuma respeitar muito os quadrinhos, às vezes até demais, como em Watchmen (2009) e 300 (2007), e não foi diferente desta vez. Alguns chamariam de homenagem, mas eu acho que o uso quase idêntico a cenas dos quadrinhos é um pouco de falta de coragem de inovar da parte de Snyder, entretanto, o forte do diretor aqui não foi seguir os quadrinhos à risca, ou fazer “homenagens” idênticas aos quadros das comics mais famosas, mas sim apresentar uma boa releitura dos clássicos. Quadrinhos como o próprio Dark Knight Returns (1986) do já citado Frank Miller, e o clássico The Death of Superman (1993) são misturados e ressignificados de maneiras curiosas e criativas. A inversão dos papéis na cena final do funeral do Superman foi a minha preferida, uma bela apropriação e adaptação do Cavaleiro das Trevas. O filme não é horroroso como muitos dizem e nem chega perto de ser a maravilha como a outra extremidade de fãs aponta, seu grande vilão, provavelmente, deve ter sido o estúdio que quis forçar um início do universo cinematográfico da DC, um tiro que pode ter saído pela culatra. A trilha sonora do espetacular Hans Zimmer, em pareceria com o DJ Holandes Junkie XL ainda se salva um pouco, ela é bem envolvente, apesar exagerada em alguns momentos, é condizente com o ritmo da trama. Vale a pena gastar seu tempo, mesmo que o filme seja tão extenso, para ver Batman vs Superman, nem que seja para criticar, se bem que se eu não reclamaria caso fosse ressarcido em tempo e dinheiro.

segunda-feira, 14 de março de 2016

A Bruxa!

A Bruxa já ganhou destaque antes mesmo de chegar aos cinemas. Com declarações de ícones populares dentro do universo do entretenimento do horror, dentre eles um dos maiores escritores de terror Stephen King, o filme criou uma grande expectativa para os fãs deste gênero, e até mesmo para os não tão fãs assim, como eu.

King declarou-se assustado com a atmosfera aterrorizante do filme. De fato o filme te causa uma sensação opressiva de modo bem eficiente, mas eu fiquei ainda mais assustado ao ver como um filme tão promissor, com um início e um meio tão interessantes, pode ser arruinado com um final tremendamente decepcionante. Toda a justificativa para o desenvolvimento extra e intra familiar do elenco principal do filme é jogado pelo ralo com um final muito repentino e, ao meu ver, pouco condizente com a proposta até então trabalhada no filme.

Robert Eggers, apesar das ressalvas, fez um belo trabalho como diretor novato em uma grande produção. Este não é um filme como os outros recentes de terror. Muitas pessoas decepcionaram-se por esperar uma obra com muitos sustos e elementos gore, mas o que nos foi apresentado foi um universo de grande tensão e drama. A total submissão da família à religião contribui muito para o clima agoniante que se estende durante todo o filme, mas isto se quebra como cristal quando o final nos é apresentado, se o filme terminasse alguns minutos antes, talvez o estrago não fosse tão grande.

Embora com este fim incrivelmente incoerente com o restante do filme, o elenco mostrou-se surpreendentemente adequado. Com exceção de Ralph Ineson (William), que fez pequenas participações na franquia de Harry Potter (2001 - 2011), no filme Guardiões da Galáxia (2014) e, com mais destaque, na série Game of Thrones (2011 – ainda em lançamento) e de Kate Dickie, que também participou de Prometheus (2012), o restante dos atores principais, dentro do núcleo familiar, não possuíam experiências em grandes produções cinematográficas, mas isto não foi nenhum entrave para suas grandes contribuições para o filme. Anya Taylor-Joy (Thomasin), Harvey Scrimshaw (Caleb) e mesmo os gêmeos Ellie Grainger (Mercy) e Lucas Dawson (Jonas) não destoaram em nenhum momento do que o filme pretendia apresentar.

O filme parece tentar construir toda uma trajetória de decadência da família, em termos religiosos. O início do fim com a heresia e o orgulho, seguidos pela luxúria, pela mentira e pela perda da própria fé. Essa trilha de elementos não é nada inovadora, mas o modo como se trabalha com ela é certamente notável, principalmente em conjunto com a impactante e muito bem encaixada trilha sonora de Mark Korven e a belíssima fotografia de Jarin Blaschke. Tendo um final que puxa, e bastante, para baixo a média do filme, uma nota 3,5 de 5,0 parece bastante apropriada. O filme poderia ter facilmente um 4,0 ou mesmo 4,5 se conectasse melhor as duas primeiras partes com a parte final. Parece que não é desta vez que teremos um neoclássico como muitos previram. 

domingo, 21 de fevereiro de 2016

A Garota Dinamarquesa!

A Garota Dinamarquesa é um filme que te deixa no chão e faz sair se arrastando do cinema. A obra é incrível, poética, sentimental, intimista e muito, mas muito triste. O enredo se divide entre longas partes onde a melancolia toma conta da atmosfera e alguns poucos picos de momentos felizes, os quais fazem sorrisos sinceros brotarem de nossos rostos. O elemento chave define o quão imersivo é o filme para cada um que assiste é empatia.

Tom Hopper, ganhador do Oscar em 2011 de melhor direção em O Discurso do Rei, encara agora outro desafio, também de drama histórico. Representar a primeira cirurgia de adequação de sexo da história e todo o contexto psicológico que envolve este processo não é tarefa fácil. Hopper escolheu, ao meu ver, um caminho mais seguro, mas que mesmo assim gerou suas controvérsias, até mesmo nas esferas social e política, extrapolando o universo artístico cinematográfico de um modo curioso e concomitantemente triste. Em minha cidade, por exemplo, o filme precisou ser requerido pelos espectadores, pois os cinemas recusaram-se a colocá-lo em cartaz. Um filme indicado a quatro Oscars fora de cartaz e o motivo para isto é óbvio. Mesmo a própria comunidade trans ficou dividida em relação ao filme. Houveram opiniões positivas, mas também há quem diga que o fato de um ator cisgênero interpretar uma pessoa transsexual não fornece representatividade suficiente para o público trans. Não me aprofundarei muito nisto, mas creio que a menção seja válida.

Voltando ao filme, a obra romantiza muito o processo de descobrimento de Lili Elbe (Eddie Redmayne), principalmente fora do contexto interno de seu relacionamento com Gerda Wegener (Alicia Vikander) e sua amizade antiga com Hans Axgil (Matthias Schoenaerts). Apesar de fazer a separação de gênero e sexualidade, erro comum quando se fala a respeito de pessoas transsexuais, o filme trata pouco sobre transfobia e transforma tudo em algo belo demais. Fora uma única cena de agressão motivada por isto e dos vários diagnósticos médicos errôneos, não são apresentadas outras formas de discriminação. Não que seja divertido ou qualquer coisa do tipo ver o sofrimento trans nu e cru, mas considerando o contexto do filme, que se passa na década de 20, seria mais crível mencionar as diversas dificuldades enfrentadas por pessoas trans, além do drama relacional e psicológico que foi apresentado. Para mim este foi o único ponto negativo do filme, pena que ele reaparece em várias outras situações.

O filme concorre agora aos Oscars de melhor ator, com Eddie Redmayne, de melhor atriz coadjuvante, com Alicia Vikander, de melhor figurino, com Paco Delgado e de melhor direção de arte. Certamente o filme merece estas indicações. As atuações estavam excelentes, Eddie e Alicia trabalham com uma química incrível, os olhares, as expressões, os toques, cada ação conjunta te convencem de que os dois possuem algo especial e que confiam um no outro. O figurino e a arte nem sequer precisam ser mencionados, basta ver e sentir para perceber o quão belos são. O filme é bom, mas poderia ser mais corajoso em alguns pontos, o que garante uma nota 4,0 de 5,0. Uma obra que te faz refletir que merece ser assistida, de preferência com um lencinho de papel ao lado.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Deadpool!

Finalmente um dos filmes de super-herói mais aguardado foi lançado, mas espere um pouco, este não é um filme de super-herói. Deadpool é esperado desde o teaser vazado que tornou-se viral e já estreou quebrando algumas marcas históricas, dentre elas a de filme mais lucrativo nas mãos de um diretor de primeira viagem, superando os 260 milhões de dólares em bilheteria. Tim Miller tem muito a agradecer a Fox, ou seria a Fox que deveria agradecê-lo?

O filme já é uma pérola antes mesmo de ser assistido. Com uma equipe de marketing inspiradíssima, que soube o que fazer para atrair o público, o Mercenário Tagarela (Ryan Reynolds) já te conquista antes de sua estreia, é um filme que você vai assistir tendo a certeza de que irá gostar. Embora Ryan tenha tido papel de destaque na mídia por se esforçar bastante para o filme ocorrer, os roteiristas, Rhett Reese e Paul Wernick, são de fato os verdadeiros heróis da obra. Que roteiro de tirar o fôlego, e é de tanto rir! As piadas são excelentes e começam a todo vapor já nos créditos, Elas conversam com um público específico e é perceptível que isto tudo foi intencional e muito bem planejado. Em alguns momentos tive que parar para enxugar as lágrimas depois de algumas gargalhadas convulsionais.

Em diversos momentos as referências à cultura pop atuais, dos anos 90, de outros papéis mal sucedidos de Ryan Reynolds e até mesmo a outras produções fracassadas da Fox inseridas no contexto de quadrinhos são totalmente escrachadas e satirizadas. Em vários outros momentos o filme tira sarro de si mesmo e do próprio gênero. Deadpool sabe com qual público está falando e fala de uma maneira hilária e não tem medo de tocar, bem de leve, em algumas feridas. Se este filme não tem exatamente a essência do personagem, eu não consigo imaginar qual filme tem ou terá. Talvez apenas o filme O Máskara, de 1994, se iguale no quesito nonsense.

Há quem pense que este filme abriu novas portas ao já saturado gênero de super-herói no cinema ou mesmo que Deadpool criou um novo subgênero dentro desta parcela criativa cinematográfica. Não acredito nesta possibilidade, esta subcategoria de comédia teve seu pontapé inicial com Guardiões da Galáxia. Deadpool deu apenas um toque mais acentuado e ácido ao humor inaugurado no filme de 2014. Além do mais, esta pegada cômica da primeira obra só foi possível, porque os personagens eram pouco conhecidos, o que proporcionou uma vasta liberdade para criar. Já com Deadpool, não havia outra alternativa, o personagem exigia algo insanamente engraçado. Acho difícil o personagem abrir uma nova porta dentro do universo cinematográfico que adapta quadrinhos, até porque ele é um dos únicos que torna possível essa alternativa, ao menos com toda essa liberdade que presenciamos nos cinemas.

Deadpool vale cada centavo investido para ir ao cinema. O filme é incrível para quem conhece, para quem não conhece e mesmo para quem nem cogita a existência de um personagem tão maluco. Fui ao cinema com pessoas que nunca ouviram falar de Deadpool, nem ao menos sabiam seus poderes e com pessoas já mais familiarizadas com a excentricidade do mercenário mais irritante dos quadrinhos. Ambos adoraram. O filme merece nota 5,0 e nem um décimo a menos.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Jurassic World - O Mundo dos Dinossauros!

Logo após Mad Max: Fury Road, Jurassic World, o Mundo dos Dinossauros, veio para gritar, ou rugir, ao público cinéfilo que as revisitas aos clássicos estão vindo com grande força. Com uma arrecadação de cerca de 1,6 bilhões de dólares no mundo, a obra deixou Os Vingadores, ultima grande bilheteria, para trás com uma leve, porém considerável, vantagem.

O enredo está longe de ser criativo. Novamente o parque é reaberto, mesmo com as grandes catástrofes anteriores, os irmãos Gray Mitchell (Ty Simpkins) e o pré adolescente Zach Mitchell (Nick Robinson), que é o personagem mais irritante do filme, são o fio condutor da história. Os dois se perdem e os dinossauros acabam se soltando e atacando os visitantes. Essas características resgatadas do filme de 1993 não seriam ruins se a obra procurasse acrescentar outras coisas ao roteiro. As únicas coisas novas são: a modificação genética, que possibilitou a criação de um dinossauro híbrido com característicasde várias espécies, uma ideia suicida, tendo em vista as experiências anteriores; o drama familiar dos pais dos garotos, que nem ao menos foi desenvolvido, totalmente descartável; a chefe de operações Claire Dearing (Bryce Dallas Howard), que não sabe de nada que acontece no próprio parque e, por fim, Owen Grady (Chris Pratt), uma espécie de Indiana Jones que tem uma relação curiosa em relação aos raptores militarizados.

Estes dois últimos elementos foram os mais interessantes. Jurassic World serviu de ponte para Chris Pratt alavancar sua carreira e se lançar ao estrelato. De fato sua atuação estava boa, engraçada e coerente, mas nada favorecida pelo resto da produção, nosso Star Lord não conseguiu segurar o filme sozinho. Já os raptores sendo usados como armas militares, apesar de pouco crível, não que isso importasse muito, afinal é um filme de dinossauros clonados com DNA de rãs, foram uma reformulação diferente e ganhou pontos pela inovação.

Embora a recepção do público tenha sido bastante positiva, o maior truque que fez a obra ganhar tanta notoriedade foi o hype e o boca boca. O primeiro erro, ao meu ver, foi tentar remexer na franquia de Jurassic Park. Mesmo com o segundo filme, O Mundo Perdido, de 1997, ter sido relativamente interessante, não havia necessidade de uma reformulação do universo de Jurassic Park. O contexto me faz pensar, sem muito esforço, que o filme não passou de um chamariz de público, proveniente do sucesso de Mad Max, lançado em maio do mesmo ano.

O filme não possui identidade própria, se firma totalmente nos feitos dos filmes anteriores e faz isso de maneira mediana, em alguns momentos replica cenas clássicas, uma apelação à memória afetiva de todos os fãs. Jurassic World faz uso da nostalgia, mas apenas dela e não preocupa-se em apresentar algo novo. Até mesmo a combinação de efeitos práticos e 3D do filme de Steven Spielberg mostrou-se infinitamente mais eficaz do que o CGI exagerado desta nova versão. Com uma nota 2,5 de 5,0, a obra não faz muita falta, servindo, no máximo, para uma ida ao cinema para ser vista apenas uma vez. Infelizmente, devido à exorbitante bilheteria, uma continuação já foi confirmada para junho de 2018. Pelo menos não tivemos uma repetição do fracasso artístico que foi o filme de 2001, que conseguiu ser pior que este.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Star Wars - O Despertar da Força!

Certamente daqui uns anos, quando a data de lançamento do episódio VII for lembrada em retrospectivas ou o que for, eu direi orgulhosamente que estive na pré-estreia. A energia e a empolgação de todos que dividiram a sessão de meia noite comigo e com os amigos que me acompanharam foi um extra no ingresso. Imagino que em várias outras sessões o mesmo aconteceu. Este filme realmente foi esperado e não só por quem viveu os outros episódios. Este filme é da geração atual e foi feito sob medida.

J.J. Abrams conseguiu balancear os anseios e gostos dos mais jovens que vieram sentir pela primeira vez como é ver Star Wars no cinema e dos mais velhos que esperavam rever todos os personagens que marcaram suas vidas. A escolha de elenco foi espetacular e o modo como os personagens foram apresentados uns aos outros e como suas relações desenvolveram-se foi sem igual.

O roteiro não chega a ser supercriativo, é basicamente uma recriação do Episódio IV, Uma Nova Esperança. Planos secretos da Aliança Rebelde são colocados em um droid que é enviado para achar determinado personagem, o decorrer do filme se desenrola, basicamente, na Primeira Ordem tentar resgatar tais planos. Nem mencionarei a base Starkiller que é destruída exatamente como uma certa Death Star. O Império realmente não aprendeu nada sobre construir armamentos de guerra colossais com pontos fracos absurdamente gigantes e desnecessários.

Entretanto, mesmo usando esta muleta, Star Wars VII respeita seu predecessor, se renova e entende o que o novo público fã de Star Wars compreende como heroico. O filme já começa a todo vapor com uma ótima relação entre Finn (John Boyega) e Poe Dameron (Oscar Isaac), o que deu brechas para ótimas teorias para o futuro dos dois personagens, posteriormente Rey (Daisy Ridley) começa sua jornada heroica com um passo importantíssimo: passar no teste de Bechdel. Temos Han Solo (Harrison Ford) e Leia Organa (Carrie Fisher) de volta e por fim um grande vilão em desenvolvimento, Kylo Ren (Adam Driver). Certamente vale destacar a maior surpresa, o droid BB-8, com um carisma incrível.

Percebi diversas críticas sobre a construção, enquanto detentora da Força, de Rey, em muitas falas vi a atribuição de Mary Sue para ela. Ao que aparenta, muitas pessoas a consideraram perfeita demais, apontaram que ela aprendeu a manipular a Força e a usar o sabre de luz em uma velocidade muito acima da média. Bom, de fato a curva de aprendizado dela foi bem acentuada, mas não creio que isso a enquadra em uma personagem Mary Sue. Por exemplo, nosso querido Luke Skywalker, no filme O Império Contra Ataca, virou um Jedi de proporções quase lendárias em poucos dias de treinamento em Dagobah com o auxílio de Mestre Yoda. Não vi muita reclamação a respeito.

Faz-se também uma comparação bastante injusta entre Kylo Ren e Darth Vader. Primeiramente, Vader nunca foi pretendido tornar-se um vilão icônico como fez, é perceptível que no primeiro filme da franquia o vilão é apenas um capanga e que não tinha a imponência que ganharia nos dois filmes posteriores, Kylo Ren nem chega a ser um vilão completo, ainda lhe falta treinamento, como é bem citado pelo Supremo Líder Snoke (Andy Serkis). Se compararmos ao período de treinamento de Luke, os dois jovens tem acessos de raiva e descontrole, Kylo Ren ainda mais, pois não é repreendido por abraçar o lado negro da Força. Seus chiliques são totalmente compreensíveis e importantes para a escalada do personagem. Mas o que mais chama a atenção no personagem é sua tentação a pender para o lado luminoso, o chamado pelo equilíbrio ocorrendo dos dois lados é um ótimo modo de se pensar fora da curva e de colocar um empecilho até então não muito desenvolvido.

Por fim, o filme não renova em roteiro, o que não é necessariamente um problema. É um reboot, que funciona como uma continuação também e o mais importante: o filme é extremamente divertido e empolgante, perfeito para se ver no cinema com a sessão lotada. Como dar menos que nota máxima a este filme? Atualmente temos mais quatro filmes sobre o universo de Star Wars a serem lançados, os episódios VIII e IX, Star Wars: Rogue One e um filme sobre o personagem Han Solo, com título ainda indefinido. Não teremos crise de abstinência de Star Wars por um longo tempo!

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Marvel's Jessica Jones - 1ª Temporada!

Definitivamente 2015 é o ano dos fãs de super heróis. Acompanhando o sucesso da série do Demolidor, a Netflix nos brindou com mais este presente. Jessica Jones veio para impulsionar ainda mais as adaptações adultas das HQ's da Marvel. Inspirada na série Alias, de 2001, criada por Brian Micheal Bandis publicada pelo selo Marvel Max, Jessica Jones mantém o clima soturno e sombrio que a série do Homem Sem Medo introduziu, mas conseguindo criar uma identidade própria. A série, criada por Melissa Rosenberg, possui uma boa liberdade em relação ao roteiro de Alias, é possível perceber as referências aos quadrinhos, entretanto a história é independente e pode ser visto sem que se tenha conhecimento prévio.

Jessica Jones (Krysten Ritter) é uma mulher que perdeu os pais e o irmão na adolescência devido a um acidente de carro envolvendo lixo tóxico, após adquirir poderes oriundos do contato com tais toxinas, Jessica assumiu o papel de heroína sob o manto de Safira. Após um grande trauma envolvendo o Homem Púpura (David Tennant), também chamado de Killgrave, Jessica desistiu da vida de heroína, focando em sua carreira como detetive particular.

S01E01
A premissa da história já seria motivo suficiente para dar uma espiada na série, enquanto o pensamento mais comum é se imaginar como um herói, sonhar em fazer parte dos Vingadores ou mesmo apenas conhecer seus heróis favoritos, Jessica nada contra a corrente e abdica de toda essa vida de glória. A escolha do elenco extremamente bem feita, e as atuações contribuem ainda mais para tornar a série boa. Krysten Ritter consegue transmitir uma sensação bem parecida com a que sentimos em relação à Jessica dos quadrinhos, apesar de ter passado por situações horríveis, você não consegue sentir pena da heroína. Jessica é uma mulher forte e não precisa disto. Ao mesmo tempo que Krysten consegue motivar uma empatia do público, David Tennant nos proporciona o contrário. Embora o ator seja querido por sua participação em Doctor Who, sua ótima atuação recria exatamente o que o Homem Púpura é: alguém manipulador, sem escrúpulos e completamente repulsivo.

S01E01
Em outras análises, cheguei a ver que a relação de Jessica Jones com Killgrave seria uma analogia para relacionamentos abusivos. De fato, quando li Alias não havia pensado por este ângulo. Após assistir a série isto ficou mais claro para mim. Os feromônios expelidos pelo vilão fazem com que a vítima confunda sua vontade própria com as sugestões vocalizadas por Killgrave. Em todo o momento as vítimas do Homem Púrpura se perguntam se realmente queriam fazer as atrocidades que cometeram a mando dele. Com Jessica não é diferente, por ter ficado mais tempo exposta ao seu poder devido a uma obsessão dita romântica, a heroína se culpa constantemente de suas ações no passado, inclusive por uma ação específica que faz com que a relação entre ela e Luke Cage se torne ainda mais complexa.

S01E12
O final, tanto dos quadrinhos quanto da própria série, é um deleite. É um, cuidado com os spoilers agora, grito de basta e um sinal análogo incrível de libertação. Jessica ficou tanto tempo sob o efeito dos feromônios de Killgrave que criou uma certa resistência. Enquanto nos quadrinhos Jessica apenas incapacita o Homem Púpura levando-o novamente à prisão, na série da Netflix ela simplesmente quebra o pescoço do vilão, o que me deixou boquiaberto e um pouco confuso a respeito do futuro da série. A série já ganha pontos apenas pela escolha de abordagem e por sua base de inspiração e não merece menos que nota 5,0 de 5,0.