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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Star Wars - O Despertar da Força!

Certamente daqui uns anos, quando a data de lançamento do episódio VII for lembrada em retrospectivas ou o que for, eu direi orgulhosamente que estive na pré-estreia. A energia e a empolgação de todos que dividiram a sessão de meia noite comigo e com os amigos que me acompanharam foi um extra no ingresso. Imagino que em várias outras sessões o mesmo aconteceu. Este filme realmente foi esperado e não só por quem viveu os outros episódios. Este filme é da geração atual e foi feito sob medida.

J.J. Abrams conseguiu balancear os anseios e gostos dos mais jovens que vieram sentir pela primeira vez como é ver Star Wars no cinema e dos mais velhos que esperavam rever todos os personagens que marcaram suas vidas. A escolha de elenco foi espetacular e o modo como os personagens foram apresentados uns aos outros e como suas relações desenvolveram-se foi sem igual.

O roteiro não chega a ser supercriativo, é basicamente uma recriação do Episódio IV, Uma Nova Esperança. Planos secretos da Aliança Rebelde são colocados em um droid que é enviado para achar determinado personagem, o decorrer do filme se desenrola, basicamente, na Primeira Ordem tentar resgatar tais planos. Nem mencionarei a base Starkiller que é destruída exatamente como uma certa Death Star. O Império realmente não aprendeu nada sobre construir armamentos de guerra colossais com pontos fracos absurdamente gigantes e desnecessários.

Entretanto, mesmo usando esta muleta, Star Wars VII respeita seu predecessor, se renova e entende o que o novo público fã de Star Wars compreende como heroico. O filme já começa a todo vapor com uma ótima relação entre Finn (John Boyega) e Poe Dameron (Oscar Isaac), o que deu brechas para ótimas teorias para o futuro dos dois personagens, posteriormente Rey (Daisy Ridley) começa sua jornada heroica com um passo importantíssimo: passar no teste de Bechdel. Temos Han Solo (Harrison Ford) e Leia Organa (Carrie Fisher) de volta e por fim um grande vilão em desenvolvimento, Kylo Ren (Adam Driver). Certamente vale destacar a maior surpresa, o droid BB-8, com um carisma incrível.

Percebi diversas críticas sobre a construção, enquanto detentora da Força, de Rey, em muitas falas vi a atribuição de Mary Sue para ela. Ao que aparenta, muitas pessoas a consideraram perfeita demais, apontaram que ela aprendeu a manipular a Força e a usar o sabre de luz em uma velocidade muito acima da média. Bom, de fato a curva de aprendizado dela foi bem acentuada, mas não creio que isso a enquadra em uma personagem Mary Sue. Por exemplo, nosso querido Luke Skywalker, no filme O Império Contra Ataca, virou um Jedi de proporções quase lendárias em poucos dias de treinamento em Dagobah com o auxílio de Mestre Yoda. Não vi muita reclamação a respeito.

Faz-se também uma comparação bastante injusta entre Kylo Ren e Darth Vader. Primeiramente, Vader nunca foi pretendido tornar-se um vilão icônico como fez, é perceptível que no primeiro filme da franquia o vilão é apenas um capanga e que não tinha a imponência que ganharia nos dois filmes posteriores, Kylo Ren nem chega a ser um vilão completo, ainda lhe falta treinamento, como é bem citado pelo Supremo Líder Snoke (Andy Serkis). Se compararmos ao período de treinamento de Luke, os dois jovens tem acessos de raiva e descontrole, Kylo Ren ainda mais, pois não é repreendido por abraçar o lado negro da Força. Seus chiliques são totalmente compreensíveis e importantes para a escalada do personagem. Mas o que mais chama a atenção no personagem é sua tentação a pender para o lado luminoso, o chamado pelo equilíbrio ocorrendo dos dois lados é um ótimo modo de se pensar fora da curva e de colocar um empecilho até então não muito desenvolvido.

Por fim, o filme não renova em roteiro, o que não é necessariamente um problema. É um reboot, que funciona como uma continuação também e o mais importante: o filme é extremamente divertido e empolgante, perfeito para se ver no cinema com a sessão lotada. Como dar menos que nota máxima a este filme? Atualmente temos mais quatro filmes sobre o universo de Star Wars a serem lançados, os episódios VIII e IX, Star Wars: Rogue One e um filme sobre o personagem Han Solo, com título ainda indefinido. Não teremos crise de abstinência de Star Wars por um longo tempo!

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

O Ultimo Samurai!

Mesmo sendo uma produção hollywoodiana, com uma visão bastante ocidentalizada, o Ultimo Samurai proporciona uma representação bastante interessante sobre o Japão, principalmente quando trabalha com os elementos espirituais nipônicos. O filme é previsível, não apresenta nada de revolucionário, mas mesmo assim dá vontade de rever várias vezes. É possível perceber bem como o filme tem objetivo puramente comercial, não que isso tire os outros méritos da obra, observando o rosto gigante do Tom Cruise estampado no cartaz do filme, como um chamariz. Reparem que este truque é utilizado bastante pra chamar público.

A história começa com o Capitão Nathan Algren (Tom Cruise), que é um militar atormentado pelo passado violento que presenciou ao participar da Guerra Civil americana. Enquanto isto, o Japão reorganizava seu poder central e adentrava na Era Meiji, inciando uma reabertura cultural para o ocidente. Mesmo em total decadência psicológica, Algren é designado para treinar as tropas japonesas para combaterem as milícias compostas pelos samurais, contrárias à ocidentalização. Neste percurso, Nathan acaba sendo capturado em combate, sendo levado para a aldeia liderada pelo Senhor Moritsugu Katsumoto (Ken Watanabe). É aí que a história começa de verdade.

Em seu pico de instabilidade emocional, Algren encontra-se em um lugar desconhecido, o qual possui cultura costumes e diferentes. É aqui que este filme torna-se especial para mim. Deixando todo o clichê de lado, do militar decadente, atormentado pela guerra e que é acolhido pelos heróis e, veja que surpresa, muda de lado na história. Este filme tem algo que difere dos outros blockbusters de Hollywood, a sensibilidade com que o diretor Edward Zwick apresenta e desenvolve a crença xintoísta é realmente bem particular, levando em conta o abismo cultural entre oriente e ocidente.

"But there is indeed something (...)"

A história do Capitão Nathan Algren como um pano de fundo para uma evolução pessoal gigantesca do personagem é tocante. É a melhor representação que eu, mesmo com a visão ocidental que tenho, já vi em quanto à filosofia xintoísta e da relação do homem com a natureza, o espírito e a paz interior. 

Destaco a cena final que coloca a reflexão do Capitão Algren que finalmente encontrou paz consigo mesmo. O monólogo dele sobre espiritualidade e o zen budismo é fenomenal, os elementos xintoístas ali são muito bem colocados. Tudo isto é fomentado pela esplêndida fotografia de John Toll, responsável pela fotografia ganhadora do Oscar de Coração Valente, e com apoio da absurdamente genial trilha sonora incrível de Hans Zimmer, autor das trilhas sonoras de A Origem, Gladiador e diversos outros sucessos. 


Lançado em dezembro de 2003 nos Estados Unidos e em Janeiro de 2004 no Brasil, o longa rendeu quatro indicações ao Oscar, de Melhor Ator Coadjuvante, pela atuação de Ken Watanabe, Som, Figurino e Diretor de Arte. Minha nota sentimental para o filme é 5,0 de 5,0 com coraçãozinho e tudo, mas pensando mais friamente e considerando os pontos negativos, fecho a média em 4,0 de 5,0, assim o Capitão Algren mantém a cabeça no lugar!