Certamente daqui uns anos, quando a data de lançamento do episódio
VII for lembrada em retrospectivas ou o que for, eu direi
orgulhosamente que estive na pré-estreia. A energia e a empolgação
de todos que dividiram a sessão de meia noite comigo e com os amigos
que me acompanharam foi um extra no ingresso. Imagino que em várias
outras sessões o mesmo aconteceu. Este filme realmente foi esperado
e não só por quem viveu os outros episódios. Este filme é da
geração atual e foi feito sob medida.
J.J. Abrams conseguiu balancear os anseios e gostos dos mais jovens
que vieram sentir pela primeira vez como é ver Star Wars no cinema e
dos mais velhos que esperavam rever todos os personagens que marcaram
suas vidas. A escolha de elenco foi espetacular e o modo como os
personagens foram apresentados uns aos outros e como suas relações
desenvolveram-se foi sem igual.
O roteiro não chega a ser supercriativo, é basicamente uma
recriação do Episódio IV, Uma Nova Esperança. Planos secretos da
Aliança Rebelde são colocados em um droid que é enviado para achar
determinado personagem, o decorrer do filme se desenrola,
basicamente, na Primeira Ordem tentar resgatar tais planos. Nem
mencionarei a base Starkiller que é destruída exatamente como uma
certa Death Star. O Império realmente não aprendeu nada sobre
construir armamentos de guerra colossais com pontos fracos
absurdamente gigantes e desnecessários.
Entretanto, mesmo usando esta muleta, Star Wars VII respeita seu
predecessor, se renova e entende o que o novo público fã de Star
Wars compreende como heroico. O filme já começa a todo vapor com
uma ótima relação entre Finn (John Boyega) e Poe Dameron (Oscar
Isaac), o que deu brechas para ótimas teorias para o futuro dos dois
personagens, posteriormente Rey (Daisy Ridley) começa sua jornada
heroica com um passo importantíssimo: passar no teste de Bechdel.
Temos Han Solo (Harrison Ford) e Leia Organa (Carrie Fisher) de volta
e por fim um grande vilão em desenvolvimento, Kylo Ren (Adam
Driver). Certamente vale destacar a maior surpresa, o droid BB-8, com
um carisma incrível.
Percebi diversas críticas sobre a construção, enquanto detentora
da Força, de Rey, em muitas falas vi a atribuição de Mary Sue para
ela. Ao que aparenta, muitas pessoas a consideraram perfeita demais,
apontaram que ela aprendeu a manipular a Força e a usar o sabre de
luz em uma velocidade muito acima da média. Bom, de fato a curva de
aprendizado dela foi bem acentuada, mas não creio que isso a
enquadra em uma personagem Mary Sue. Por exemplo, nosso querido Luke
Skywalker, no filme O Império Contra Ataca, virou um Jedi de
proporções quase lendárias em poucos dias de treinamento em
Dagobah com o auxílio de Mestre Yoda. Não vi muita reclamação a
respeito.
Faz-se também uma comparação bastante injusta entre Kylo Ren e
Darth Vader. Primeiramente, Vader nunca foi pretendido tornar-se um
vilão icônico como fez, é perceptível que no primeiro filme da
franquia o vilão é apenas um capanga e que não tinha a imponência
que ganharia nos dois filmes posteriores, Kylo Ren nem chega a ser um
vilão completo, ainda lhe falta treinamento, como é bem citado pelo
Supremo Líder Snoke (Andy Serkis). Se compararmos ao período de
treinamento de Luke, os dois jovens tem acessos de raiva e
descontrole, Kylo Ren ainda mais, pois não é repreendido por
abraçar o lado negro da Força. Seus chiliques são totalmente
compreensíveis e importantes para a escalada do personagem. Mas o
que mais chama a atenção no personagem é sua tentação a pender
para o lado luminoso, o chamado pelo equilíbrio ocorrendo dos dois
lados é um ótimo modo de se pensar fora da curva e de colocar um
empecilho até então não muito desenvolvido.
Por fim, o filme não renova em roteiro, o que não é
necessariamente um problema. É um reboot,
que funciona como uma continuação também e o mais importante: o
filme é extremamente divertido e empolgante, perfeito para se ver no
cinema com a sessão lotada. Como dar menos que nota máxima a este
filme? Atualmente temos mais quatro filmes sobre o universo de Star
Wars a serem lançados, os episódios VIII e IX, Star Wars: Rogue One
e um filme sobre o personagem Han Solo, com título ainda indefinido. Não teremos crise de abstinência de Star Wars por um longo tempo!




