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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Marvel's Jessica Jones - 1ª Temporada!

Definitivamente 2015 é o ano dos fãs de super heróis. Acompanhando o sucesso da série do Demolidor, a Netflix nos brindou com mais este presente. Jessica Jones veio para impulsionar ainda mais as adaptações adultas das HQ's da Marvel. Inspirada na série Alias, de 2001, criada por Brian Micheal Bandis publicada pelo selo Marvel Max, Jessica Jones mantém o clima soturno e sombrio que a série do Homem Sem Medo introduziu, mas conseguindo criar uma identidade própria. A série, criada por Melissa Rosenberg, possui uma boa liberdade em relação ao roteiro de Alias, é possível perceber as referências aos quadrinhos, entretanto a história é independente e pode ser visto sem que se tenha conhecimento prévio.

Jessica Jones (Krysten Ritter) é uma mulher que perdeu os pais e o irmão na adolescência devido a um acidente de carro envolvendo lixo tóxico, após adquirir poderes oriundos do contato com tais toxinas, Jessica assumiu o papel de heroína sob o manto de Safira. Após um grande trauma envolvendo o Homem Púpura (David Tennant), também chamado de Killgrave, Jessica desistiu da vida de heroína, focando em sua carreira como detetive particular.

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A premissa da história já seria motivo suficiente para dar uma espiada na série, enquanto o pensamento mais comum é se imaginar como um herói, sonhar em fazer parte dos Vingadores ou mesmo apenas conhecer seus heróis favoritos, Jessica nada contra a corrente e abdica de toda essa vida de glória. A escolha do elenco extremamente bem feita, e as atuações contribuem ainda mais para tornar a série boa. Krysten Ritter consegue transmitir uma sensação bem parecida com a que sentimos em relação à Jessica dos quadrinhos, apesar de ter passado por situações horríveis, você não consegue sentir pena da heroína. Jessica é uma mulher forte e não precisa disto. Ao mesmo tempo que Krysten consegue motivar uma empatia do público, David Tennant nos proporciona o contrário. Embora o ator seja querido por sua participação em Doctor Who, sua ótima atuação recria exatamente o que o Homem Púpura é: alguém manipulador, sem escrúpulos e completamente repulsivo.

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Em outras análises, cheguei a ver que a relação de Jessica Jones com Killgrave seria uma analogia para relacionamentos abusivos. De fato, quando li Alias não havia pensado por este ângulo. Após assistir a série isto ficou mais claro para mim. Os feromônios expelidos pelo vilão fazem com que a vítima confunda sua vontade própria com as sugestões vocalizadas por Killgrave. Em todo o momento as vítimas do Homem Púrpura se perguntam se realmente queriam fazer as atrocidades que cometeram a mando dele. Com Jessica não é diferente, por ter ficado mais tempo exposta ao seu poder devido a uma obsessão dita romântica, a heroína se culpa constantemente de suas ações no passado, inclusive por uma ação específica que faz com que a relação entre ela e Luke Cage se torne ainda mais complexa.

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O final, tanto dos quadrinhos quanto da própria série, é um deleite. É um, cuidado com os spoilers agora, grito de basta e um sinal análogo incrível de libertação. Jessica ficou tanto tempo sob o efeito dos feromônios de Killgrave que criou uma certa resistência. Enquanto nos quadrinhos Jessica apenas incapacita o Homem Púpura levando-o novamente à prisão, na série da Netflix ela simplesmente quebra o pescoço do vilão, o que me deixou boquiaberto e um pouco confuso a respeito do futuro da série. A série já ganha pontos apenas pela escolha de abordagem e por sua base de inspiração e não merece menos que nota 5,0 de 5,0.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Marvel's Daredevil - 1ª Temporada!

Temos aqui o pontapé inicial para os fãs finalmente poderem retrucar a velha provocação de que filmes e obras adaptadas do universo ficcional da Marvel são infantis e coloridos demais. Marvel's Daredevil puxou os pés do universo cinematográfico da editora e, com treze episódios de pura violência, os pôs definitivamente no chão. E este chão é sujo!

Lançada em abril de 2015, a série é uma das melhores adaptações de personagens em quadrinhos que eu já vi, ela nos faz esquecer totalmente do fantasma do filme de 2003, produzido pela Fox. Primeiramente temos o cenário, extremamente escuro, imundo e urbano, exatamente como Hell's Kitchen deve ser. A atmosfera sombria e violenta, certamente pegando elementos das passagens de Frank Miller e da parceria de Brian Michael Bendis e Alex Maleev pelos quadrinhos do Homem Sem Medo, torna a cidade amedrontadora. Raros são os momentos que você deixa de estar tenso enquanto assiste. Acredito que apenas a série Gotham tenha superado a adaptação de cenário de Demolidor.

Embora a série da D.C. comics tenha esta leve vantagem de qualidade neste quesito, as atuações, roteiro e direção são totalmente atropeladas pela série produzida pela Netflix. Charlie Cox (Matthew Murdock) me surpreendeu positivamente, é a primeira vez que vejo um trabalho do ator e que surpresa agradável, Deborah Ann Woll (Karen Page) também não deixou o nível descer, acompanhada por Vondie Curtis-Hall (Ben Urich) e Elden Henson (Foggy Nelson), nosso velho amigo de Efeito Borboleta. Até mesmo Skylar Gaertner (Matt Murdock criança), ator mirim, os quais dificilmente me agradam, estava excelente.

Apesar dos bons moços estarem impecáveis, o grande astro da série é Vincent D'Onofrio. Brilhante em Full Metal Jacket e se renovando agora no atual Jurassic World, Vincent trouxe às telas um Rei do Crime mais incrível do que nos meus mais belos sonhos, ou pesadelos. Seus lapsos raivosos, seus momentos de calma de reflexão sobre seu Reino e o principal: a transição abrupta entre os dois. Estes elementos foram transpostos de maneira magistral, em minha humilde opinião. O Kingpin rouba, com o perdão do trocadilho, a cena na série. Pode parecer estranho falar tão bem de uma série que o vilão acaba tendo mais destaque que o herói, mas acredite, este desbalanço ocorre devido à genial atuação de D'Onofrio e não pela inabilidade artística de Charlie Cox, ambos formam uma dupla incrível, em termos profissionais e dentro da própria construção de personagens no enredo

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Combinando as grandes atuações com roteiros incríveis, o resultado não poderia ser outro. Uma série com nota 5,0 de 5,0. A construção mútua do Rei do Crime e seu antagonista, o Demolidor, é feita brilhantemente. Chamo a atenção para a minha parte preferida, no episódio onze. O diálogo entre Matthew e o Padre Lantom (Peter McRobbie) é o momento de ouro dos roteiristas Steven S. DeKnight e Douglas Petrie, responsáveis pelo episódio, juntamente com a direção de Nick Gomez. Um grande passo para a construção do símbolo que os que desviam do caminho dos justos devem temer.

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Tendo mencionado as nuances técnicas da série, o roteiro e seus atores, o que sobra? Os quadrinhos, claro! Mas como pretendo aqui falar mais sobre a série, me reservarei a pontuar algumas referências que notei e que achei importante destacar ao assistir. O mais óbvio, é a influência das obras de Frank Miller, o qual não poderia ficar de fora de qualquer adaptação do Demolidor. Em outras passagens vemos referências mais específicas, Karen Page em determinado momento da série, devido a acontecimentos que não citarei para evitar spoilers, acaba agarrando-se ao abuso de bebidas alcoólicas. Será que temos aqui um encaminhamento para a Queda de Murdock? Por fim, em um diálogo com Ben Urich, Matt, ainda com sua clássica roupa preta de ninja, faz alguns questionamentos sobre o tráfico de heroína na cidade. Nos papelotes há desenhado o símbolo do Serpente de Aço, o qual é mencionado por Urich. Na época que a série saiu, isto era o mais próximo de uma possível confirmação da produção de uma série do Punho de Ferro, por um curto período houveram oscilações nas informações, o que deixava os fãs apreensivos. 
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Atualmente as séries do Punho de Ferro, Luke Cage e dos Defensores aparecem no painel de busca da Netflix, o que indica que o futuro nos reserva coisas interessantes.